Na Avenida Lisir Eva...

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Acabou o Carnaval, Feliz Ano Novo

RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)


Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade 

The Blind Side


  Não sei onde a tradução tirou "Um Sonho Possível" de "The Blind Side", mas não estou aqui para julgar a tradução. Um ótimo filme, drama, um toque de comédia, baseado na história de Michael Oher. Quando terminou, ainda queria ver mais uma meia hora da trama.
  Globo de Ouro para Sandra Bullock (e talvez venha o Oscar), estreia em 26 de fevereiro aí no Brasil.

The Police preveram o orkut?

... Every breath you take.. I'll follow you...



Sobre a mudança do vídeo: Em 27 de fevereiro de 2010 venho aqui e posto outro vídeo da mesma canção, desta vez com legendas em português. O anterior havia sido excluído por questões de direitos autorais.

Quaresmal

Qual é a importância de ler isto?
Diga logo que também não te importas
Parecerás só mais alguém normal
E mais um perdido, entre os vis, mas


põe teu santo, toma teu chá e acordas
do mundo que esfacela lá na porta
tecal¹ que não encontro paz a mais
mas essa mosca² que nos fere e atrais


Veneno teu corrompe, mas resisto
Não só me corta a pele ou mata: corta
dentro da alma, e faz lesão modal


Doença, vejo só, brilho corisco³
Do outro, incerto existência fosca
E temo, pois se cura achar jamais


¹ relativo a teca, invólucro protetor 
² praga que passa a ser o interlocutor dos versos oito e nove.
³ Brilho nos olhos indicativo de cólera


Sobre o tema

   Último dia de férias, voltar ao mundo extremo racional, porém não foi isso que me levou a escrever o poema acima. Nem a quaresma, pois assim teríamos um apelo religioso e o tema, na verdade, vejo-o acontecer independente dela e que, por isso, não começou com a quarta-feira de cinzas.
   De início, por que lerias o poema? Mais alguém na internet a brincar de Camões e parecer ridículo? Tentei evitar tal consideração. O segundo verso já faz ligação com o tema, não se importar. Não se refere necessariamente ao verso anterior, mas ao sentido universal do tema discutido em seguida. E, caso não se importe (terceiro verso), apesar de um ser distante da cultura clássica e preso à vil contemporânea (quarto), não parecerá ter cometido algum crime.
   Quantas famílias, quantos lugares estão isentos de problemas? Também contigo parece que o mundo se esfacelas (sexto)? E nas que restam em paz, nas que percebem o terror que os rondam dentro das casas ou, mais esperado, atravessando a porta tecal, a busca da proteção divina, seus costumes, sua busca pela calma e pelo conhecimento (quinto verso).
   Então, quando uma mosca passa por mim enquanto escrevo, viera o sexto verso e o mal é então personificado. Seu veneno é o da corrupção, não somente a financeira, mas a corrupção da carne e do psicológico, a depressão, o 'tudo dar errado'. Por isso, não somente corta a pele ou mata, mas decepciona uma alma, muda o modo de ser. Uma doença, às vezes solidão (décimo segundo), às vezes depressão, o único brilho é o corisco, que se confunde com o brilho do olhar, raro, fosco (pelas trevas) e o poeta tem medo de não encontrar a cura para a situação.

Sobre a Estrutura

   Os versos são todos decassílabos (1, 6, 7, 9, 12 e 14 heróicos; 3, 8, 10, 11 e 13 sáficos). No primeiro verso, as primeira e segunda sílabas tônicas vão progredindo (2,6 - 3,7 - 4,8 - 5,9), em que busquei tal gradação sonora para indicar sufoco e uma busca para chamar a atenção ao poema. O poema é um soneto e as rimas tem a forma 'abcc bbdd abc abd'; nos tercetos joguei com os versos heróicos e sáficos e tentei surpreender na rima final, retomando o 'ais' da segunda estrofe (d).
   Sobre as rimas, o poema não segue constantes; há ricas e pobres e, em sua maioria, consoantes e graves; contudo segui apenas quatro terminações, daí a encontrarmos rimas em parágrafos distintos, aliás, a maioria se refere a outros parágrafos.
   Para o décimo verso, segui a bela construção de Olavo Bilac em "Nem só desejo o teu amor: desejo". Houve uma inversão no sétimo verso que levou à criação de nova interpretação, também aceita: de 'não conseguir encontrar paz' para 'não conseguir enxergar mais paz do que antes'. No décimo primeiro verso, a palavra "cria" pareceria mais bela que "e faz", contudo danificaria o esquema sonoro. Destaco também a estrutura do décimo segundo, onde "vejo só", analisando todo o verso, indica que  "o único brilho que enxergo é aquele típico da cólera", mas ao colocarmos uma vírgula antes de brilho, temos a referência à solidão. Honestamente, não sei como ficaria melhor, a vírgula traria a sílaba tônica para a quinta posição, enquanto, para deixar o verso heróico, privilegiamos o "bri", de brilho, na sexta.

  O excesso de espaços é devido ao problema com o blogger.

Pobre passarinho, caído sobre o carro
o dia amanhece, triste
e agora ouço dos outros o canto, réquiem?
está nublado, está frio, está...

Mais uma sobre os propósitos do blog

   Por que tratar de vários temas, defender assuntos que ninguém perguntou e os etc que eu quiser postar aqui? O propósito do blog é não ter nenhum, escrever a esmo? Talvez, como arrisquei na frase acima, "tuíter, rascunho, espaço" e demais palavras que se encaixarem lá, quiçá todas.
   Prefiro criações próprias, do contrário aconteceria o que chamo de Poluição Virtual, não são necessários dois sites com a mesmíssima coisa, ao menos se forem comentários ou recomendações, desde que faça referência ao original.
   Se alguém precisar de algo e nos encontrar via google, gostaria de ter sido útil. Senão, sem muita publicidade (apenas um pedido ou outro de visita), deixemos como um 'diário', não pra contar histórias piegas ou demais fatos pessoais, mas para simplesmente escrever e postar alguma coisa.

O Pior poema

Alguns relacionam o conhecimento de alguém nem pelos sonhos nem pelos pensamentos, mas pelas atitudes. Fiquemos por enquanto com as duas primeiras opções e analisemos o seguinte poema, inacabado, de título "Não é o Pior Poema" de autoria mesma desse blog.

Construindo um soneto.


Mas não é o pior poema (primeiro parágrafo)

Monstro, sou o corpo do paradoxo
sou a decepção dos sentimentos

inverso, toda definição cocho¹
pois se é amor é ódio que aparento
¹ingrato

   Apesar das rimas ricas, falta ritmo, a sonoridade é ruim (verão o mesmo no segundo parágrafo, de outro poema inacabado de mesma autoria); apesar de decassílabos e de um primeiro verso bem estruturado, não vemos uma sequência no posicionamento das sílabas tônicas.
   Quanto ao tema, embora todo o histórico de poemas sinistros, barrocos, românticos, neobarrocos (e por aí vai) tome isso como comum, revela uma pessoa monstruosa, não por ter assumido assim a princípio, mas pelo que desenvolve em seguida, como alguém que mais maltrata quanto mais ama. De fato devemos admitir que há uma boa escolha semântica e, se em seguida, quiçá dos tercetos, retirássemos alguma esperança ou mudança no comportamento então realmente não seria o pior poema.

====================================

Sobre sonhos e Utopias (segundo parágrafo)

Pior é não saber o que se quer
Pior é quando se espera sem luta
Pior é quando se é sem ser nada
Bom é queimar e agüentar em pluma¹

Arde querer fazer o que não faço
Inda mais não fazer o que ser quer //está com um sentido até bom, mas repeti palavras lá de cima

¹Pluma: Flâmula / aquilo que pesa pouco

   Neste caso, destaca-se o uso da anáfora, mas a sonoridade está ainda pior, sobretudo no último verso, apesar deste ser salvo pelo duplo significado empregado em "pluma".
   Quanto ao tema, se o poema estivesse inteiro, concordaria com as frases de Victor Hugo na postagem anterior. O primeiro parágrafo diria: sonhar alto o quanto quiser ou sonhar com o que é possível de se alcançar? Mas pior é não saber o que se quer ou mentir sobre a personalidade (1º e 3º versos do parágrafo acima). Ou não, lembremos que em poemas, em geral, temos a defesa de uma visão pessoal.
   Usando uma terminação de Shakespeare (Um quarteto e um dístico) poderíamos ter uma moral coincidindo com a frase:

"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".




"Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã."
Victor Hugo


"Mais facilmente se julgaria um homem segundo os seus sonhos do que segundo os seus pensamentos."
Victor Hugo

Open Panel

Label

Blogroll

Labels

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...